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Marcelo Rubens Paiva

A jornalista Karina Andrade do Porre Literário me perguntou outro dia se é fácil entrevistar o escritor Marcelo Rubens Paiva. Sei que para encontrá-lo não precisa de muito esforço; ele frequenta a praça Roosevelt e a Mercearia São Pedro. Outro ponto a favor é que ele gosta de falar, item importante em uma entrevista. A parte mais difícil é não se perder entre o monte de histórias que ele tem pra contar. Ele é testemunha ocular e participante ativo da cultura brasileira nos últimos 30 anos, o que pode ser notado independentemente do tópico a ser abordado em uma conversa com ele.

Em um encontro no Sesc Vila Mariana no ano passado promovido pelo programa Sempre Um Papo, perguntaram a ele sobre política. Ele conheceu dois dos últimos presidentes, Lula e Fernando Henrique Cardoso. Comentaram sua semelhança com o dramaturgo Plínio Marcos – foram amigos, seus encontros foram, então, relembrados. Perguntei sobre um comentário que ele fez na TV sobre o método de composição do Renato Russo. Essa hora foi foda.

O Marcelo sempre odiou carnaval e, seguindo a dica de um amigo, foi passar o feriado no lugar menos festivo do país: Brasília. Se hospedou na casa do guitarrista Dado Villa Lobos, no período em que a Legião Urbana escrevia o disco Dois. Foram dias em que o escritor acordou muito cedo, já que os ensaios começavam por volta das 8, 9 da manhã, fato que inspirou a primeira frase da música Tempos Perdidos (todos os dias quando acordo, não lembro mais o tempo que passou…). Por sinal, Renato Russo insistiu para que Marcelo ajudasse na letra desta música, menos pelo texto, mais pelo glamour de ter um escritor renomado contribuindo com a banda; a oferta foi recusada, sendo um dos grandes arrependimentos da vida do escritor.

Lembro desse fato porque, enquanto registro esse dia, ele autografa o livro novo, As verdades que ela não diz, em um shopping que fica no outro extremo da cidade de São Paulo, o que equivale a dizer que fica em outro país. Com certeza não vai faltar oportunidade pra voltar a ve-lo e ouvi-lo – de preferência em uma situação financeiramente favorável, para fazer um documentário sobre a sua vida. Seria triplo, quadruplo, uma série, para que não falte espaço pra contar tudo o que tem pra contar.


Campos de Carvalho explica porque a chuva deprime

Tive um amigo que de certa feita escreveu esta frase lapidar: A chuva dá de beber aos mortos, e talvez por isso eu não possa sentir a chuva sem sentir a presença dos mortos ao meu lado, e até mesmo dentro de mim.

(Campos de Carvalho, A Lua Vem da Ásia – Obra Reunida. José Olympio, 5a edição, 2008)