Nada como o futuro!

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Eliminatória

O fato do apartamento em que vivo ser pequeno causa a falsa impressão de que tenho muitos livros e discos. Não é verdade, mas acomodar as coleções está causando sérios problemas logísticos e organizacionais – já não é tão fácil chegar no armário do meu quarto, por exemplo.

Decidi, então, fazer uma limpa. Vou ouvir todos os discos e ler todos os livros para decidir quais merecem ficar, quais merecem ir embora. Apesar de ser culpa da falta de espaço, vai ser boa a eliminatória: não existem tantos discos bons que valham a pena ter, do mesmo modo que são poucos os livros que realmente marcam e valem ser relidos.

Quando terminar, seja o disco ou o livro, vou fazer uma resenha e a decisão do que fazer com a bagaça. Começo com o London Calling, disco do Clash.

Nunca fui muito fã de Clash, comprei o disco para tentar entender qual que é a deles. Tem músicas boas, mas o que faz esse disco tão influente é um mistério. Tem muita melodia, mas é pop. Pouca guitarra. Não fosse o vocal desleixado tanto do Joe Strummer quanto do Paul SImonon, ia ficar complicado manter a aura punk do Clash. As bandas dos anos 70 certas vezes são vistas de um jeito estranho. A galera não tem escrúpulo em classificar Judas Priest como Heavy Metal e Clash como Punk. O Sad Wings of Destiny é um disco quase acústico. Esse London Calling é dançante, meio pop, meio reggae. Vai entender. Dá vontade de comparar com Sublime, Skank, No Doubt, Blitz (se me disserem que foi o Evandro Mesquita que gravou a “Lover’s Rock”, nem vou perder meu tempo discordando ou desconfiando). A “Revolution Rock”, por exemplo, é reggae total, a introdução poderia ser de uma música do Bob Marley.

Tem músicas boas. “Guns Of Brixton” é demais. “Rudie Can’t Fail” é bacana. “Lost In a Supermarket” é demais também. E é curioso, para um disco de músicas curtas, tem bastantes trechos instrumentais bem trabalhados, o que é uma ousadia. Isso é admirável.

Mas no final, é isso. Um monte de músicas corretas – 19 faixas no total -, comportadas. Ouvir o disco inteiro dá um arrepio nível “agora vai entrar um dj”. Meio improvável, mas não deixa de ser assustador. Serve como trilha de festa tipo algum coquetel de lançamento – você se lembra do que aconteceu, não do que tocou.

Esse vai embora.