Nada como o futuro!

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Vinil: a hora e a vez da música

Muitos me perguntam por que eu gosto tanto de disco de vinil.

Ok, isso nunca aconteceu, eu que me propus a entender por que optar por um meio tão trabalhoso numa época em que se pode ter décadas de música  em um espaço cada vez menor . De graça. 

Minha vitrola insiste em achar que a última faixa de todos (todos) os discos está riscada. Os discos, frágeis, não podem receber a mínima luz solar, caso contrário entortam na hora, viram algo parecido com uma bacia. As explicações tradicionais por si só não ajudam a superar esse e outros tipos de problema. Não há nostalgia ou saudosismo que valha tanta preocupação, ou que me faça pagar o triplo por um disco novo em comparação ao CD. O argumento de que o som é melhor também não dá conta. De fato, ele reproduz de forma mais orgânica os timbres de instrumentos, ou seja, o som é melhor se você liga pra essas coisas. Esse argumento, portanto, está mais para critério de desempate  do que para vantagem.

Mas é justamente na falta de praticidade que está a graça do vinil. Sim, com ele você não pode programar as músicas que quer ouvir. Não vai apertar um botão e poder ouvir o álbum inteiro. É preciso ver em que lado as músicas estão. Ainda que sejam apenas duas, pode ser que tenha que virar o disco e buscar a faixa entre divisões que não são lá muito visíveis. No final das contas, é preciso que a pessoa fique à disposição da música, se submeta a um ritual que cobra a atenção que a arte merece. Como recompensa, vai ficar exposta a todos os efeitos colaterais que a música pode nos proporcionar, sem os quais a vida seria inviável e surdez uma meta.

É uma maravilha haver tanta música tão barata espalhada pelas ruas, carros, ônibus (o que não é novidade, Carlos Drummond de Andrade registrou isso em crônica uma penca de décadas atrás). Melhor ainda poder ter a opção de parar a correria do dia a dia e impor seu ritmo com a trilha sonora que você escolheu.

Gabo

“Sempre disse que os ciúmes sabem mais que a verdade”.

“É impossível não acabar sendo do jeito que os outros acreditam que você é”.

 

(Memórias de minhas putas tristes, Record, 2006)

Conselheiro

Eu avisei: “mano, aja como homem; não basta negar até à morte, tem que fugir”.  Não quis me ouvir, deu nisso.

 

 

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Outras notas do velho safado

o Bukowski em atividade, conforme imaginei

O documentário feito sobre Bukowski, Born into this, ajudou a confirmar a suspeita que já havia começado com o primeiro livro que li dele, Pulp. Vi alguma semelhança com Henry Miller, que se confirmou ao conhecer mais sobre o poeta alemão. Se o rigor com a escrita e o número de páginas por obra os separa (maiores em Miller), uma visão de vida os aproxima: ambos enxergavam o trabalho comum, esse que paga algumas contas e te tira e te põe na cama em horários indevidos, como um passo a ser dado para que se chegasse a um objetivo maior. Um mal a ser diariamente combatido e superado para que pudessem viver da escrita. Ambos recusaram-se a encarar o trabalho como um fim em si, um estacionamento de vidas que talvez-quem-sabe-um-dia possam realizar seus sonhos. 

Notas de um velho safado, de Bukoswki, é bom demais. Quem sabe hoje atinja a metade das 260 páginas. Mas com o pouco lido já rendeu muita coisa, como dá pra perceber. Aí vai:

  • “Mas eu tenho um velho ditado (invento velhos ditados enquanto passeio por aí em meus farrapos) que diz  que o conhecimento que não se realiza é pior do que a ausência total de conhecimento”.
  • “O próximo sujeito que chamasse o dinheiro de pão deveria ser pago totalmente em trigo”.
  • “O que esses malditos revolucionários que ficam zanzando ao redor do meu apartamento bebendo a minha cerveja e comendo a minha comida e exibindo as suas mulheres precisam aprender é que a coisa deve vir de dentro pra fora. não se pode dar a um homem um novo governo como um novo chapéu e esperar um homem diferente dentro desse chapéu”.
  • “Antes de matar qualquer coisa certifique-se se tem alguma coisa melhor pra por no lugar”.
  • “Os rapazes berrando pelo seu sacrifício nos parques públicos são geralmente os que estão mais longe quando o tiroteio começa. eles querem viver para escrever as suas memórias”.
  • “por favor, tenha cuidado com os seus líderes, pois existem muitos nas suas fileiras que prefeririam ser presidente da General Motors do que incendiar o Posto Shell da esquina. mas como eles não podem ter um ele pegam o outro”.

Ah, férias!

Como é bom acordar e não ter que ir pro trabalho. Mesmo que seja cedo. Será que não tem mesmo como emendar as férias com a aposentadoria?

Declaração de amor é para os fracos

Roberto Carlos já foi um cara ousado e original. Pelo menos antes de assinar com a Globo em 1974, quando ele abandonou essas características, restringindo-se a ser apenas gênio. Um exemplo do  que ele era capaz é essa canção romântica em que ele demonstra através da lógica e da moral que a negativa da moça é um erro. Exemplo:

Meu bem
Use a inteligência uma vez só
Quantos idiotas vivem só
Sem ter amor
E você vai ficar também sozinha
E eu sei porque
Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo

Paulo Francis

“Morremos uma vez só. Felizmente, porque nascemos diversas. A primeira é a menos dolorosa”.

 

O afeto que se encerra, pg  72. Edição de 2007 da editora Francis.

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